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ASSISTÊNCIA



O Dr. Anderson atua através de consultas médicas para investigação diagnóstica e tratamento de patologias do fígado, como hepatites, gordura no fígado, nódulos e cirrose. Sua assistência engloba ainda acompanhamento de internações hospitalares e realização de procedimentos como paracentese e biópsia hepática percutânea. Entenda um pouco mais sobre as doenças, seus tratamentos e os procedimentos:


  Patologias do Fígado

  •     Hepatites virais e autoimunes

A hepatite é caracterizada pela inflamação no fígado. Ela pode ser causada por alterações metabólicas, genéticas, uso de remédios, álcool e outras drogas. No entanto, merece esclarecimento maior as hepatites por causas virais. Alguns tipos podem ser causados por relações sexuais sem preservativo, transfusões de sangue ou compartilhamento de seringas, agulhas e até alicates de unha. Em geral, os principais sintomas detectadosna fase aguda são cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.


As hepatites virais são separadas em letras (A, B, C, D e E), de acordo com o tipo de vírus que infecta o indivíduo.


Sobre a hepatite A, a forma mais comum de contaminação é por meio de alimentos e água contaminados com fezes que possuem o vírus. Cerca de 90% da população adulta já teve contato com esta hepatite na infância. A hepatite A não cronifica, pois tem resolução espontânea pelo próprio organismo, e, muitas vezes, nem apresenta sintomas. Alguns pacientes relatam sinais como mal estar, vômito, perda de apetite e icterícia (pele, unhas e mucosas de cores amareladas). Em um pequeno percentual dos casos, a hepatite A pode evoluir com hepatite mais grave, principalmente quando contraída na fase adulta.Não existe um tratamento específico, mas é recomendado acompanhamento evolutivo,repouso, hidratação e a redução de comidas gordurosas na dieta.


Já a hepatite B tem sua contaminação através de relações sexuais, sem camisinha, com uma pessoa infectada, inclusive sexo oral, uma vez que o vírus está presente nos fluidos corporais; compartilhamento de material para uso de drogas (seringas, agulhas, cachimbos), de higiene pessoal (lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, alicates de unha ou outros objetos que furam ou cortam) ou de confecção de tatuagem e colocação de piercings; transmissão para o filho durante gestação, no parto e/ou amamentação, e transfusão de sangue contaminado.Os sintomas são semelhantes aos da hepatite A. Na forma aguda, eles desaparecem em algumas semanas, mas é preciso ficar atento: quando a doença se torna crônica ela pode evoluir para problemas mais graves como cirrose e câncer, causando danos irreversíveis ao fígado. A melhor forma de prevenção é pela vacina.


A hepatite C tem a sua transmissão pelo sangue. Pessoas que receberam transfusão de sangue, antes do início da década de 90, além de usuários de drogas com compartilhamento de seringas e canudos para drogas venosas e inalatórias, são pessoas com risco de terem hepatite C. Além disso, outras vias de transmissão são reconhecidas como realização de tatuagens e colocação de piercings, compartilhamento de objetos de uso pessoal, como alicates, lâminas de barbear e seringas com pessoas infectadas. A transmissão sexual é considerada rara, assim como a transmissão durante a gestação. A hepatite C dificilmente é detectada na fase aguda, por apresentar poucos sintomas. A grande maioria dos casos torna-se crônica, causando uma hepatite silenciosa ao longo dos anos. Cerca de 20% dos pacientes com hepatite C crônica evoluem após 10-20 anos de doença com cirrose hepática. A partir dessa fase, passam a acumular um risco que varia entre 1-5% ao ano de desenvolvimento de câncer hepático. O tratamento tem modificado muito nos últimos anos, melhorando a resposta terapêutica de forma significativa com o advento dos DAAs (Agentes de ação direta antiviral).


Os tipos D e E são mais incomuns. O vírus da hepatite D, conhecido como VHD, só se instala quando o vírus HBV (vírus da hepatite B) está presente no organismo. É preciso ficar atento, pois nesses casos há mais chances da doença evoluir para um caso crônico e mais grave. Já o tipo E é ainda mais raro no Brasil (maior incidência está na Ásia e África). Os sintomas são os mesmos da hepatite A, como cansaço, febre e vômitos. A melhor forma de se prevenir é cuidar da higiene e promover medidas básicas de saneamento.


A hepatite autoimune é decorrente de disfunção do sistema imunológico, com produção de anticorpos que agridem e destroem progressivamente as células do fígado. Nas primeiras fases, o problema se apresenta de forma silenciosa, apresentando sintomas somente quando existe maior dano ao fígado, como uma hiperativação causando uma hepatite mais grave ou mesmo com a cronificação, levando à cirrose. O diagnóstico envolve história clínica, exames de sangue com pesquisa de autoanticorpos e biópsia hepática. O tratamento consiste em imunossupressão e acompanhamento regular.

  •     Esteatoses hepáticas

A gordura no fígado, ou esteatose hepática, é uma condição, cuja prevalência vem aumentando de forma significativa no mundo. A esteatose é definida por acúmulo de gordura ou infiltração de gordura nas células hepáticas. Isso pode ser causado por diversos fatores, mas o mecanismo que vem ganhando cada vez mais protagonismo envolve o sobrepeso/obesidade e diabetes. Esse processo passa por um mecanismo que envolve uma resistência à ação da insulina, com aumento de seus níveis e consequências metabólicas como acúmulo de ácidos graxos (gordura) nas células hepáticas. Esse acúmulo pode promover uma inflamação contínua, conhecida como esteato-hepatite que, como qualquer hepatite crônica, pode cursar com cirrose hepática. Há evidências robustas de que a cirrose por esteato-hepatite não-alcoólica tem aumentado sua prevalência, já ocupando a segunda causa de transplante hepático, segundo o maior banco de dados de transplantes hepáticos do mundo (banco UNOS). Esse resultado tem sido reproduzido na casuística do nosso grupo, LIVER transplantes, sendo a esteato-hepatite não-alcoólica, também, a nossa segunda indicação de transplante hepático dentre todas as causas, em 12% de todos os transplantes realizados. O tratamento da esteato-hepatite não-alcoólica envolve interrupção dos fatores de risco para desenvolvimento do mecanismo, com mudança dos hábitos de vida, medicações para a resistência insulínica, além de alguns novos medicamentos em estudo que podem estar disponíveis nos próximos anos.


  •     Cirrose

O fígado é um órgão conhecido inclusive da mitologia grega, como descrito na obra Prometeu acorrentado, por ter o poder de regeneração. Nessa obra, Prometeu era acusado de muitos crimes, dentre eles roubar o fogo dos Deuses e dar aos homens. Como punição, o deus dos deuses mandou acorrentar Prometeu a um rochedo e mandou-lhe uma águia para devorar o seu fígado, que tinha a capacidade de se regenerar a cada noite. E isso se repetiria noite após noite. De fato, a capacidade de regeneração de hepatócitos (células do fígado) é alta. No entanto, a inflamação contínua (hepatite) leva a um processo de cicatrização subsequente. Esse processo de cicatrização vai promovendo acúmulo de “cicatrizes” que, progressivamente, vão distorcendo o órgão, ocupando espaço dos hepatócitos e causando perda da função hepática. O paciente pode ter cirrose e não apresentar sintomas, mas, em algum momento, começará a apresentar alterações como sangramentos e surgimento de equimoses, amarelão dos olhos (icterícia), desorientação, alteração do sono e déficit de atenção, emagrecimento, perda de apetite, ginecomastia (aumento das mamas em homens), redução/perda da libido, surgimento de líquido na barriga, dentre outros.


Como consequência do acúmulo de material fibrinoso cicatricial, ocorre um aumento da rigidez do fígado, com distorção da arquitetura do órgão, levando a uma alteração nos vasos sanguíneos dentro do fígado. Estes vasos passam a apresentar uma maior resistência à entrada do sangue. Com isso, a principal veia que leva sangue dos intestinos para o fígado passa a apresentar um aumento na sua pressão por dificuldade em entregar o sangue para o fígado. Surge, assim, uma das principais complicações da cirrose: a hipertensão portal. Para tentar aliviar essa hipertensão, novos vasos são criados e ocorre uma dilatação de outros pré-existentes e até mesmo inativos, como a recanalização da veia paraumbilical. O surgimento desses novos vasos (colaterais) e dilatação de outros vasos, leva ao surgimento de verdadeiras varizes por dentro do estômago e esôfago. Quando uma dessas varizes rompe, temos outra importante complicação: a hemorragia digestiva alta.


A hemorragia digestiva alta é uma complicação extremamente grave. Cerca de 50% doa pacientes com cirrose possuem varizes esofageanas. O risco de ruptura é de aproximadamente 8% ao ano. Quando ocorre, a mortalidade chega a 20% em 6 semanas. O tratamento é hospitalar, com medicações endovenosas e endoscopia digestiva, para interromper o sangramento e, erradicar as varizes. Um acompanhamento contínuo deve ocorrer em consultório, com administração de medicações que evitam a ruptura desses vasos, evitando essa emergência ou a reincidência da mesma.


A encefalopatia hepática é outra complicação da cirrose e consiste num espectro de alterações neurológicas e psiquiátricas no contexto da cirrose, que pode ser constante ou intermitente. Seus sintomas podem iniciar apenas com uma discreta troca da noite pelo dia, além de perda da atenção e memória. Pode evoluir com alteração comportamental e mesmo agressividade. Em sua apresentação mais clássica, ocorre uma sonolência exacerbada com quadro de desorientação importante. Essa alteração neurológica ocorre devido à presença de substâncias que circulam no sangue, oriundas do intestino e que, pelo pouco funcionamento do fígado e pelo “desvio” de fluxo sanguíneo resultado da hipertensão portal, acabam atingindo o cérebro e promovendo as alterações. Por isso, um dos principais pilares do tratamento e profilaxia da encefalopatia hepática é baseado em manter um fluxo intestinal constante, evitando a constipação. Além disso, antibióticos e outras medidas são utilizadas, a fim de evitar essas crises.


A ascite é outra complicação da cirrose, considerada um marcador de prognóstico da doença, seu surgimento está relacionado à mortalidade em 50% dos pacientes em 5 anos. A ascite consiste no acúmulo de líquido dentro da cavidade abdominal (popularmente conhecida como “barriga d’agua”). Esse líquido origina-se no fígado, através do extravasamento de líquido conhecido como linfa, após passagem do sanguepela arquitetura alterada e cheia de fibrose do fígado. A ascite pode evoluir com contaminação por bactéria, causando outra complicação, chamada peritonite bacteriana espontânea.


O carcinoma hepatocelular é o câncer primário do fígado, cujo risco de surgimento na cirrose é de cerca de 1-5% ao ano, acumulativo. Seu tratamento depende do estágio em que é identificado, número de lesões e seus tamanhos. Dependendo do estágio, pode-se optar pela retirada cirúrgica, quimioterapia oral, tratamento por cateterismo loco-regional e até mesmo, o transplante hepático.

  •     Nódulos no fígado

Assim como em outras partes do corpo, um nódulo no fígado não caracteriza câncer. Eles podem ser detectados através do exame de ultrassonografia. Através da história clínica e outros exames complementares, como ressonância magnética, pode-se definir melhor a natureza do nódulo. Raramente é necessária a biópsia hepática de um nódulo, mas, por vezes, pode ser uma ferramenta valiosa.


Os tipos mais comuns de nódulos benignos são hemangioma (composto por vasos sanguíneos). Os hemangiomas, em sua maioria, não são cirúrgicos e não necessitam de nenhuma terapêutica. Em raros casos, como dos hemangiomas gigantes, o transplante hepático ou ressecção cirúrgica são opções, caso os tumores provoquem muitos prejuízos ao paciente. Outro nódulo é o adenoma hepático. Esse tipo de nódulo tem grande associação com uso de pílula anticoncepcional e terapias hormonais. Seu crescimento pode associar-se a complicações como sangramento e, dependendo do caso e do tamanho, a retirada cirúrgica pode ser necessária. Nos casos em que os adenomas são múltiplos e irresecáveis, pode ser necessário transplante de fígado. Além desses nódulos, há ainda a hiperplasia nodular focal (HNF). A HNF é completamente benigna, caracterizada por uma cicatriz de fibrose em seu centro, e não necessita de tratamento específico.

Vias Biliares

  •     Cálculos biliares

Formados na vesícula, os cálculos biliares são causados pela solidificação de alguns dos componentes da bile. Eles podem variar em relação ao tamanho e quantidade. Caso seja pequeno, ele pode nem apresentar sintomas. Se pequenos e numerosos, podem se tornar fator de risco para pancreatite biliar. Os maiores podem afetar o funcionamento da vesícula e das vias biliares, originando manifestações. Nesses casos pode haver sensações de peso após as refeições (as digestões tornam-se pesadas e lentas, sobretudo a sricas em gorduras), inchaço ecólica biliar (uma dor abdominal aguda e de aparecimento brusco).


O tratamento depende da idade do paciente, presença de sintomas e tamanho do cálculo. Atualmente, o tratamento cirúrgico tem maior eficácia, desde que bem indicado, sendo realizada a retirada da vesícula biliar por videolaparoscopia.

  •     Estenoses

Caracterizada pelo estreitamento anormal das vias biliares, a doença pode ser causada por infecções repetidas dos canais biliares, tumores, traumatismos ou como consequência da realização de procedimentos endoscópicos ou cirúrgicos sobre a região.


Alguns casos exigem a realização de dilatações endoscópicas do canal biliar com aparelhos especiais, mas, no geral, o tratamento consiste na drenagem biliar.

  •     Colangite esclerosante primária:

Trata-se de uma doença grave. O problema ocorre quando há inflamação dos canais da bile, dentro ou fora do fígado. Com o tempo, essa inflamação gera cicatrizes que, por sua vez, obstruem os canais do órgão. Essas alterações da forma dos canais de bile propiciam pontos de estagnação da bile, permitindo a ascensão de bactérias oriundas do intestino, culminando eventualmente em colangites bacterianas. Com o curso da doença, aumenta-se o risco de surgimento de colangiocarcinoma (câncer das vias biliares), sendo necessário, portanto, vigilância regular. A colangite esclerosante primária possui associação com doença inflamatória intestinal, mais comumente a retocolite ulcerativa. Os primeiros sintomas que aparecem são diarréia, dores abdominais, perda de peso, sangue ou muco nas fezes, fadiga e febre.


O tratamento geralmente é feito com o uso de medicamento como ácido ursodesoxicólicoou com endoscópio por meio da dilatação das estenoses, com balão ou prótese (stent). Em pacientes com cirrose avançada, o melhor procedimento é o transplante hepático.

  •     Cirrose (colangite) biliar primária

A cirrose biliar primária, recentemente renomeada como colangite biliar primária, é uma doença hepática crônica que acomete as vias biliares dentro do fígado e se caracteriza por causar incômodos na pele. Esses incômodos são geralmente uma coceira intensa provocada pelo acúmulo de sais biliares no sangue. A destruição dos canalículos biliares são provavelmente ocasionadas por um mecanismo auto-imunológico. Entre as mais afetadas pela doença estão as mulheres com mais de 40 anos.


Assim como a maioria dos casos das doenças hepáticas, a cirrose biliar primária pode não apresentar sintomas no primeiro momento e, nos estágios mais avançados, causar cansaço, perda do apetite e coceira e/ou incômodos na pele. O tratamento inicial consiste no uso de medicações, como ácido ursodesoxicólico e, mais recentemente, os fibratos.O benefício desse tratamento é maior quanto mais cedo for iniciado.

 Paracentese e Biópsia

  •     Paracentese (retirada de líquido ascítico da cavidade abdominal)

O procedimento consiste na retirada do líquido, por meio da punção com agulha. Ele é rápido, simples e indicado quando há a ascite, conhecida como “barriga d’água”. Essa doença geralmente é uma complicação da cirrose e consiste no acúmulo de líquido na cavidade abdominal. Essa quantidade pode variar, podendo chegar a litros e a composição do líquido pode ser usada para definição da sua causa.


O especialista pode indicar o procedimento para colher material para análise ou para extrair o excesso de líquido e aliviar os sintomas da doença.

  •     Biópsia hepática percutânea (orientada por ultrassom)

A biópsia de fígado traz informações de diagnóstico e gravidade de uma doença hepática. Ela é indicada para casos de confirmação de doença metastática, diagnóstico de lesões focais, de aspecto inconclusivo, nos exames de imagem ou de complicações do transplante hepático e no diagnóstico e acompanhamento de doenças, como cirrose e hepatite crônica.


O médico utiliza o aparelho de ultrassom para orientar o local exato de entrada de uma agulha especial para colher um pequeno pedaço do fígado para estudo histopatológico. O procedimento é considerado seguro, mas complicações comuns como dor local temporária e complicações raras, como hemorragia, podem ocorrer.